Tela Clássica: O Golem

12:56:00 Cinema's Challenge 1 Comments

Talvez não seja do conhecimento geral que o cinema de terror, tal como o conhecemos hoje, tenha sido criado sob a forte influência do expressionismo alemão. Filmes como “O Gabinete do Dr. Caligari”, de Robert Wiene, e o “Nosferatu”, de Murnau, foram nesse aspecto filmes importantíssimos para o nascimento do género. O tom negro, sombrio e angustiante destes filmes viria a ser fundamental para a criação dos mitos de terror, como Frankenstein ou Drácula. O filme repercussor do género dos filmes de monstros, no entanto, não foi nenhum dos que referi em cima. Reza a história que o alemão Paul Wegener, actor e realizador, foi o criador do género, como o filme “Der Golem”. Wegener debruçou-se três vezes sobre esta história. A primeira, em 1915, tinha ênfase no horror e no fantástico, ao passo que a segunda, de 1917, consistia numa espécie de comédia, onde o Golem "contracenava" com uma dançarina. A versão definitiva seria a terceira, lançada em 1920.
O Golem, mito de uma lenda judaica, é um ser de barro que ganha vida quando um mago usa a magia de um antigo livro da Cabala. O monstro de barro, interpretado pelo próprio realizador Paul Wegener, foi criado para proteger os judeus dos ataques anti-semitas. A lenda do ser de barro que ganha vida tem raízes no seio judeu da Europa antiga, mais especificamente na região da cidade de Praga. Muitos clamam ser este o primeiro filme de um monstro que sobrevive até hoje, o que provavelmente deve ser verdade. A fluidez que Paul Wegener dá à sua história é muito boa e as semelhanças entre a história do "Golem" e a do "Frankenstein", de James Whale , são assombrosas. Obviamente, a caracterização da criatura de barro e o seu apelo macabro não foram capazes de resistir ao tempo, ao contrário do que aconteceu à sua contraparte americana...



Pelo convidado, Francisco Rocha.

1 comentário:

  1. Ora aqui está uma curta reflexão muito interessante. Mesmo muito. Desconhecia, tal como nos textos anteriores, destas histórias.
    Gostei das outras referências sobre o género ao longo do texto, Frankenstein e Nosferatu, de tão famosos que são, dão outro contexto cativante ao assunto.
    Belo momento, gostei e aprendi, mais uma vez.
    Venha lá o próximo sff...

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