O que é mais importante num filme?

21:22:00 Cinema's Challenge 0 Comments

Já me deparei imensas vezes a pensar o que para mim é o mais importante que um filme contenha. A resposta, contudo, nunca foi muito constante. Quando comecei a ver cinema o factor surpresa era aquilo que mais me encantava ao visualizar uma película. Frame a frame observava de perto e com muita atenção toda uma história que, em alguns casos, bem poderia ser a minha. E no fim, sabia-me pela vida um belo de um twist. E era assim que encara primordialmente o cinema. Erro ou não ver pela primeira vez um género, uma história, um tipo de personagem ou até mesmo o trabalho de um realizador era algo que tinha um efeito estonteante em mim. Mas, naturalmente, fui crescendo cinematográficamente e essa visão mudou um pouco. Comecei a entrar na fase em que sentia uma certa sensação de deja vu. Bom ou mau, isso começou-me a incomodar. Quer para o bem, que penso que foi o meu caso, quer para o mal, comecei então a desprender-me do cinema americano e a tentar encontrar um cinema diferente, novo aos meus olhos, e foi assim que cheguei ao cinema avant garde de Jodorowsky, por exemplo. Ao mesmo tempo que devorei divertidas comédias francesas, que prometo a quem quiser degustar visualmente que estas têm uma enorme qualidade. Deixo-vos a título de exemplo alguns nomes como "Jantar de Idiotas" (que mais tarde os americanos tiveram a perversão de fazer um remake) e " A Caminho do Norte" (este bem mais recente). Descobri também o cinema espanhol ou vi mais de perto - assim de repente, aconselho que vejam o "Espírito da Colmeia", é maravilhoso, ou "Amor Perros" (falado em espanhol mas considerado mexicano). Dei uns toques também pelo cinema grego (que tem alguma piada por ser extremamente sexual e em alguns casos abusar na exposição dos actores, mas que não me fascinou), pelo alemão (que considero demasiado frio, pelo menos do que vi, mas pode ser apenas um choque cultural) e ainda pelo oriental, que tem bastante interesse porque inspirou um dos meus cineastas preferidos - Quentin Tarantino -, mas cujos produtos originais não consigo criar empatia. Defeito meu ou da cultura que me rodeia? Não sei responder.

Antes desta epopeia pela sétima arte, vi muito cinema britânico. Devo-vos dizer que é certamente do mais delicioso que se pode ver. Especialmente em comédias e dramas, tenho a dizer: bom ou mesmo muito bom!...Tenho em mente filmes que me acompanharam a infancia e adolescencia e que ainda hoje sou capaz de voltar a ver caso passem na tv: "Quatro Casamentos e um Funeral", "Love Actually", a 'saga' "Monty Pyton", "Trainspotting", "Shaun of the Dead", "Control " e "Nothing Hill", entre muitos e muitos outros ficam aqui alguns que verei com prazer sempre que tiver oportunidade. Neste caso, penso que o que me fascina no cinema britânico já não é tanto a novidade, mas sim o "charme", classe, e quase respeito que a sua postura, idioma e singularidade têm em exclusivo.

Depois a internacionalização da experiência cinematográfica, continuei a procura. Passei pelo indie , pelo cinema mais de autor, pelo de culto, pelo clássico, sem nunca esquecer o alternativo que em parte assenta nos chamados b-movies.

Acho que é isto tudo que me permite perceber quão volátil é a capacidade do ser humano de saber o que quer, o que gosta, e neste caso o que pretende ver para se sentir satisfeito. Com toda esta busca consegui perceber que mais do que o factor surpresa, a estranheza/ enriquecimento que outra cultura nos proporciona, charme ou diferentes géneros ou tendências, o que realmente me leva a ver um filme é algo que por palavras não consigo explicar. É talvez um feeling quase irracional que nos leva a querer fazer parte daquela história, a guardar connosco e aprender com ela de um modo que apenas o bom cinema nos consegue ensinar...

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