A arte de fazer filmes

14:42:00 Cinema's Challenge 1 Comments

Muitos (grandes) realizadores têm um estilo próprio, que os denuncia, sempre que vemos uma cena de um filme da sua autoria. É esse o caso de Wes Anderson, com um síndrome obsessivo-compulsivo pela simetria, usada na criação de belos cenários quiméricos e coloridos, onde a teatralidade e infância se fundem primorosamente, acompanhadas de personagens excêntricas e histórias com um toque de humor negro. Portanto, é justo afirmar que o cineasta não faz apenas filmes; faz também arte. Com um estilo visual inconfundível, a técnica do homem responsável por obras como “Rushmore”(1998), “The Royal Tenenbaums”(2001) e "The Grand Budapest Hotel" (2014) mostra nos seus diversos filmes como pode ser eficaz a aplicação minuciosa da sua tendência em centrar os elementos de uma cena e/ou plano. 


O aspeto de um filme pode ser uma influência muito poderosa junto do público. Uma única voz: que passa uma mensagem, sem nunca nenhuma palavra ser pronunciada. É esta a beleza dos visuais criados em cinema, que falam por si e incendeiam as mentes e memórias dos espetadores. 

Com identificação e reconhecimento do grande público, vem também reputação. François Truffaut, Jacques Tatti, Quentin Tarantino, Yasujiro Ozu, Terrence Malick, Alejandro Jodorowsky, Stanley Kubrick, Darren Aronofsky, Alfred Hitchcock, Orson Welles são, entre muitos outros, prova disso. Ainda hoje, reminiscências de planos do “2001: A Space Odyssey”, como a perspetiva de ponto de fuga que dá amplitude e profundidade, influenciam outros filmes do género e são relembrados pelos fãs.


Ou então o famoso plano contrapicado utilizado sempre que abrem um porta-bagagens nas películas de Tarantino, mostrando assim o ponto de vista do subjugado – são as chamadas “trunk shots”.


E ainda a divisão do ecrã em dois planos, por Malick, em “The Tree of Life” e outras suas obras, como forma de contraste. 


Já Ozu usa os planos estáticos para centralizar toda a atenção no elemento humano, através da câmara estática, quando filma corredores e exibe de longe os personagens a andarem.


Todas estas técnicas de linguagem visual e marca de autor são um cartão-de-visita universal - do cineasta para o público - que dão mais força à imagem como elemento primordial do cinema, aquele que é conhecido como a Sétima Arte.


Texto originalmente redigido para a Revista SPOT.


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May the force be with you!