CRÍTICA‬: «Spotlight» (2015), de Tom McCarthy


Este ano temos alguns filmes baseados em factos reais como «Steve Jobs», «The Big Short» e «The Revenant» na corrida aos Oscares 2016. E também a esta lista podemos adicionar «Spotlight», o drama jornalístico que retrata a história verdadeira (que recebeu inclusive um Pulitzer) de como o jornal Boston Globe, mais propriamente a secção dedicada à investigação Spotlight, desvendou e publicou um escândalo de pedofilia massiva que envolvia padres, mexendo assim directamente com a Instituição Católica. A narrativa segue uma linha interessante mas ao mesmo tempo previsível, onde vamos conhecendo e chafurdando no core do problema, ao mesmo tempo que ficamos a saber como funciona a secção Spotlight que trata esse tipo de casos e os membros que a compõe; mais que tudo percebemos o que motiva os jornalistas a agarrar uma potencial história.

As personagens Michael Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams), Matty Carroll (Brian d'Arcy James) e Walter Robinson (Michael Keaton) estão bem entregues, todos os atores cumprem perfeitamente o esperado sem haver nenhum que se destaque particularmente. Embora haja a tentativa de as desenvolver, nunca deixam de ser planas. Falta ao filme um lado mais humano, que deveria advir dos jornalistas. Ficamos pelo ressentimento de uns que não prestaram a devida atenção às informações dadas no passado, ou pela quebra com a ideologia católica ou ainda com o medo de o vizinho do lado ser o inimigo...O problema é que o levantar do véu é interessante, mas nunca chega a ser mais que isso...Ficamos por não saber muito bem que tipo de situação a personagem de Mark Ruffalo tinha com a mulher da qual estava separado (esta nunca aparece, apenas é mencionada), por exemplo. Pouco sabemos das personagens até ao fim. Temos uns momentos de dúvidas, em que o "rato" dentro da redação chega a ser quase real, mas que até ao final da história acaba por não existir, ficando-se por uma espécie de especulação ou falsas pistas.

Há muito em «Spotlight» que se fica pela intenção, mesmo que este seja um filme com uma história que merece sempre a nossa atenção devido à sua seriedade e perigo de fechar os olhos. Existem momentos mais tocantes onde as vítimas são confrontadas com as evidências dos abusos, aí percebemos como afetou o desenvolvimento das mesmas enquanto adultos, marcando-as para sempre. Algumas performances são arrebatadoras com relatos cruéis, de quem não tinha ainda maturidade suficiente para perceber o porquê de serem "os escolhidos", entre a admiração e sentimento de ser especial, entre o nojo e horror de ter deixado acontecer, o drama chega ao coração do público e não o deixa indiferente à realidade descoberta em 2001. Porque não foi só ficção, foi também real.

O filme do realizador Tom McCarthy dispensa qualquer tipo de efeito digital para o tornar apelativo, falando apenas por si enquanto história como nos velhos tempos do cinema. A atenção do público é presa ao longo das duas horas. McCarthy aposta numa abordagem linear, sem grandes truques de montagem ou câmara, sem explosões, sexo explícito ou outro tipo de adereço; e isso é de admirar nos dias de hoje. Principalmente num filme limitado geograficamente à cidade de Boston.

«Spotlight» cumpre aquilo a que se propõe, mas pouco arrisca ou surpreende, numa história regular sobre jornalismo e um grande caso que envolve corrupção que capta a atenção do público e é bem contada. Vale a pena ver, mas na história do cinema será sempre apenas mais um filme de redação, sem nada de inovador ou particularmente memorável.

CRÍTICA‬: The Hateful Eight (2015), de Quentin Tarantino


Não é exagero afirmar que apenas Tarantino poderia fazer isto. Quando me refiro a isto, falo da recuperação de um subgénero que surgiu nos anos 60/70, o spaghetti western, que diz muito pouco ao público (generalista), e torna-lo com o seu toque acessível e divertido numa oportunidade única para injetar implicitamente uma parte da história do cinema na mente dos espectadores.

No seu oitavo filme, o realizador de «Reservori Dogs» apresenta-nos uma nova história, na qual volta a reunir algumas caras conhecidas, recuperando Samuel L. Jackson como um dos pontos fortes do elenco, que brilha e nos relembra porque é um dos nossos atores preferidos. Kurt Russell tem também um papel bastante relevante, sendo mais uma vez o quase carrasco de uma personagem feminina (ainda se lembram de «Death Proof» e da sua personagem?) num papel nada simpático mas bastante divertido de um ponto de vista sádico. Temos ainda um outro renascer, no que diz respeito à carreira, falo de Jennifer Jason Leigh com um papel memorável, entre o repulsivo e cómico, a atriz faz jus aos seus anos de experiência e não deixa ninguém indiferente (a pelo menos querer espetar-lhe um tiro no meio da testa); a nomeação a Melhor Atriz Secundária é merecida. O restante cast também não desilude, atacando-nos com alguma nostalgia quando vemos Michael Madsen («Kill Bill» e «Reservoir Dogs») e Tim Roth («Reservoir Dogs» e «Pulp Fiction»).

A história, pode não ser a mais original e fascinante porém não é por isso que deixa de entreter durante as 3 horas de filme. Mesmo que longo, com alguns momentos já habituais de diálogo pausado e repetições propositadas para quase fazer o público abanar a perna de nervosismo, «The Hateful Eight» tem uma estrutura coesa, com a introdução das personagens no tempo certo, personagens que vão do 8 ao 80 em segundos, com humor, escárnio, ultraviolência, alguns momentos gore, crítica socio-cultural e abordagens de alguns assuntos sérios como questões raciais, guerras civis e relatividade legal.

Durante todo o filme, não temos um herói ou lado bom e mau, temos apenas 8 personagens enclausurados num estabelecimento, dos quais alguns escondem um segredo, esse que naturalmente será descoberto. A receita usada quase semelhante ao início de uma anedota cliché - onde estão tipos muito específicos fechados num bar, o negro, o carrasco, o inglês, o mexicano, o cherife, a fora-da-lei, o coronel - não se revela um floop, surpreendendo com um foco equilibrado em cada personagem, mediante a sua relevância para a história. De algum modo, o que também aprimora a experiência está no facto de o público não criar nenhuma empatia cerrada com as personagens apresentadas, pois todos são vilões à sua maneira, sendo que mais cedo ou mais tarde o demonstram ao público que assiste assim com a devida distância à história. As próprias personagens vão-se introduzindo, explorando o passado uma das outras, até porque algumas já se cruzaram ou têm algum tipo de conexão, o que concede às mesmas mais dimensionalidade psicológica. Cabe ao público imaginar e complementar com base nas pistas que tipo de pessoa é cada uma, com alguns paralelismos com outras do universo do realizador. Sobre isso, podemos perceber alguns easter eggs como o tabaco fictício Red Apple astutamente introduzido e já presente em filmes anteriores de Tarantino, ou menção a outros filmes quase como piada.

A primeira parte do filme pode ser encarada como uma introdução sem nenhuma cena que desperte uma ação, a segunda parte é onde realmente tudo começa a ganhar forma, optando por abandonar a linha narrativa clássica e mexendo com o público através de flashbacks, introduções em off, suspense, já a terceira parte abandona o estilo faroeste, parte para o climax, e lança a corda para se enlaçar noutras obras do realizador, sendo que o nível de violência aleatória e transversal faz lembrar «Death Proof», o exploitation onde também ninguém fica para contar a história...Tudo aquilo que conseguiu concentrar numa cabana, um lugar restrito e pequeno, povoado por personagens peculiares e misteriosas, onde o uso do 70 mm que amplia o ângulo de visão do espectador faz com que se contrarie essa ideia de espaço pequeno fechado, transformando-o num lugar maior, num palco intimista que conta com uma narrativa minimalista mas épica.

Visualmente, Tarantino volta a mostrar cuidado com a estética, falando também muito através dela, com momentos belíssimos que envolvem cenas na neve, o vestuário distinto da personagem de Samuel L. Jackson ou mesmo no interior da cabana nas cenas com mais sangue, tudo tem um sentido e intento para criar significado.

Embora não seja nem tente ser nenhum filme ao nível dos spaghetti de Sergio Leone (como a «Triologia dos Dólares»), é um tributo que tira da arca memórias para aqueles que têm presente o subgénero e que educa aqueles que provavelmente nunca ouviram falar no mesmo, isto tudo ao som do mestre sonoro Ennio Morricone que compôs para «The Hateful Eight» a sua primeira banda sonora em 40 anos de inatividade. O mais interessante, pelo menos para mim, é que Quentin Tarantino mantém algo que muitos realizadores perderam com o tempo a irreverência e capacidade de arriscar, inventando, ignorando regras, manipulando e divertindo, com um prazer que passa ao público, prazer esse que falta no cinema atual cada vez mais pretensioso e bacoco, repleto de experimentalismos inócuos e/ou intelectualismos forçados, que confundem homenagem com plágio, que fecham os olhos ao que realmente interessa: a arte de envolver o público.

‎CRÍTICA:‬ «Brooklyn» (2015), de John Crowley


Do mesmo realizador de «Boy A», é-nos apresentada uma história que tem algo de intemporal (por atualmente serem muitos os que deixam o seu país em busca de um emprego e qualidade de vida): a migração e a escolha que temos de fazer por uma nova "casa", essa que passa por finalmente deixarmos partir a saudade mascarada de perfeição que temos do local que abandonamos em busca de uma vida melhor. «Brooklyn» tem essa artimanha como a fórmula para puxar pelo coração dos espectadores e mostrar que tem valor, no entanto não tem a frieza e intensidade suficiente para convencer como grande filme, pelo menos na qualidade de obra nomeada para a categoria de Melhor Filme nos Oscares. Temos uma Saoirse Ronan irrepreensível no papel que veste, sendo a mesma irlandesa a dificuldade em interpretar a jovem dividida entre dois países torna-se menos árdua, o que nos leva a sentir que foi uma boa escolha de casting, contudo a parte boa multidimensional a uma certa altura acaba por ser confundida por algo mais básico, como se fosse uma menina iludida que em vez de escolher o seu próprio destino se deixa à revelia do que acontece aceitando-o apenas; essa é talvez uma imagem real do que acontece por comodidade e falta de resiliência, mas não a mensagem que gostaríamos de retirar do filme. Domhnall Gleeson aparece por breves momentos, mas não deixa de captar as nossas atenções, o que é muito bom sendo que este ano entrou em pelo menos 3 grandes produções - «The Revenant», «Star Wars», «Ex Machina».


A nível de fotografia, o filme também está bem trabalhado, notando-se a escolha meticulosa de cores para invadir os cenários com as emoções adequadas. Ora do sonho americano numa praia com tons de céu, ora numa Irlanda deixada para trás com tons mais escuros e deprimentes; ou vice-versa consoante muda a visão da protagonista.

Porém, o clímax nunca chega a ser verdadeiramente sentido, ficando-se «Brooklyn» por ser uma história bonitinha, daquelas que já foram dezenas de vezes contadas na história do cinema e que continuarão a ser.

Crítica: «Youth» (2015), de Paolo Sorrentino


Paolo Sorrentino traz-nos mais uma obra, «Youth», onde a Europa é o cenário. O filme italiano é encabeçado por uma dupla sénior mas que respira e expira talento, falo portanto de Michael Cainee e Harvey Keitel, que durante as duas horas de filme não deixam margens para dúvidas do quão dotados são, com uma aura incrível performista que hoje em dia é cada vez mais difícil de ver nos jovens atores. Mas lado a lado temos também a competente Rachel Weisz (curiosamente está também este ano em outro interessante filme, «The Lobster») e Paul Dano (ganhou o Globo de Ouro por «Love and Mercy», também um filme de 2015) que completam com o seu talento mais jovem o cast principal de «Youth». 

O nome também não é por acaso, é quase irónico, cínico e uma tentativa de contrariar o que vemos na imagem: o envelhecer e até morte. Posso adiantar que não achei um filme perfeito nem fácil de visualizar, tirando a sua fotografia e soundtrack fabulosas, bem como as performances, a história em si embora com poder para nos causar inquietação e reflexão muitas vezes pode ser de difícil entendimento senão virmos com a paciência e olhar liberal necessários, um pouco à semelhança do anterior filme de Sorrentino, «La Grande Belezza». A montagem ritmada com a imagem e música, tema onde também se centra mesmo que mais de leve o filme, também é um ponto positivo facilmente identificável. É sem sombra de dúvidas um filme que vale muito a pena ver; tenho pena de o não ter feito em cinema, mas, aí, a experiência teria de ser numa sala vazia, onde conseguisse me sentir só, tal como a maioria das personagens deste filme se sentem, com saudades de memórias e alturas que já não se recordam, de amores, de vidas, em suma da sua juventude. «Youth» é sem dúvida capaz de mexer com o nosso lado mais carpe diem seja de forma a valorizar o que temos, como a não gastarmos demasiada energia com algo que um dia simplesmente não terá mais importância, que faz parte da nossa mortalidade, única que nos acompanha desde o dia em que respiramos pela primeira vez.

Um Adeus a Davie Bowie...


“I don't know where I'm going from here, but I promise it won't be boring.” - São algumas das muitas inspiradoras palavras da lenda que morreu este mês, no dia 10 de janeiro de 2016, aos 69 anos, poucos depois de lançar o seu novo disco. Não foi apenas David Bowie que a morte levou, foi também uma grande parte da história da música, moda e cinema, cultura (em suma) da qual faz parte, que ficará para sempre registada nas memórias dos que conheceram a sua carreira e estilo único em vida e para a posterioridade para aqueles que um dia o virão a descobrir como o mestre da reinvenção. Embora seja na música que em força é lembrado sempre que o seu nome é mencionado, com álbuns que têm tanto de brilhantes como de ecléticos, Bowie teve também importantes papéis na Sétima Arte como o homem das mil faces.

Misterioso. Visualmente inconfundível. Com um talento inato e singular. Um artista completo e multifacetado, como um camaleão entregou-se de corpo e alma no cinema a vários personagens memoráveis: o feiticeiro Jareth the Goblin King no bizarro “Labyrinth” (1986), Andy Warhol em “Basquiat” (1996), o soldado Jack Cellier em “Merry Christmas Mr. Lawrence” (1983) , o vampiro John Blaylock em “The Hunger” (1983), (um pequeno mas importante papel como) Pontius Pilates em “The Last Temptation of Christ” (1988), (o popular) extraterrestre Thomas Newton em “The Man Who Fell to Earth” (1976), o inventor Tesla em “The Prestige” (2006) e o papel de Phillipe Jeffries no filme (que adveio da série cancelada de Lynch) “Twin Peaks – Fire Walk with Me” (1992). Todas interpretações exímias e distintas, desde a mais curta à mais extensa, não há sombra de dúvida que Bowie era imponente em todos os desafios que abraçava, deixando um cunho próprio em cada interpretação.

O “Camaleão”, como assim era conhecido David Bowie, será para sempre relembrado pelo seu talento irrefutável, que criou toda uma cultural visual e simbólica, de liberdade de género, de expressão, e, acima de tudo, de inspiração para todos aqueles que o admiraram durante quase 50 décadas, repletos de reinvenções de si mesmo e de obras magníficas e imortais.

O céu ficou assim mais brilhante, mas a obra ficou para o continuarmos a homenagear todos os dias, sempre que de alguma forma chega até nós.


Texto originalmente escrito para a Revista SPOT:



















R.I.P Jacques Rivette


People who go to, say, one film every two weeks and tell themselves, "I will see the great films, but not the others, not the commercial movies," I think those people have no chance of really seeing cinema. I think that cinema is only accessible to those who accept that they must consume the "mainstream." On the other hand, the consumers of mainstream cinema who reject [Marguerite] Duras, [Robert] Bresson, [Jean-Marie] Straub or [Werner] Schroeter, are also people who refuse cinema. That said, it's a question of lifestyle: there are those whose daily schedule includes two hours to watch a movie, others who prefer to read, or listen to music.

Carta de Kubrick a Bergman em 1999



Dear Mr. Bergman,

You have most certainly received enough acclaim and success

throughout the world to make this note quite unnecessary, but

for whatever it’s worth, I should like to add my praise and

gratitude as a fellow director for the unearthly and brilliant

contribution you have made to the world by your films (I have never

been in Sweden and have therefore never had the pleasure of seeing

your theatre work). Your vision of life has moved me deeply, much

more deeply than I have ever been moved by any films. I believe

you are the greatest film-maker at work today. Beyond that, allow

me to say you are unsurpassed by anyone in the creation of mood and

atmosphere, the subtlety of performance, the avoidance of the obvious,

the truthfullness and completeness of characterization. To this

one must also add everything else that goes into the making of a

film. I believe you are blessed with wonderful actors. Max von Sydow

and Ingrid Thulin live vividly in my memory, and there are

many others in your acting company whose names escape me. I wish

you and all of them the very best of luck, and I shall look forward

with eagerness to each of your films,

Best Regards,

Stanley Kubrick.


Crítica: «The Revenant» (2015), de Alejandro Iñárritu


O novo filme de Alejandro González Iñárritu, tal como o mesmo nos acostumou em obras passadas, tem uma competente direcção artística que passa tanto pela direcção de atores (com um Leonardo Dicpario a brilhar numa atuação mais física do que psicológica; com um Tom Hardy a vestir na perfeição um vilão multidimensional; com Will Poulter a dar o salto para o cinema de autor; Domhnall Gleeson irreconhecível e com uma performance irrepreensível), pela fotografia incrível que nos envolve num ambiente cru, hóstil, sem regras e selvagem, com uma caracterização magistral, bem como uma montagem exímia, onde os planos nos dão uma percepção 360º, onde por vezes até o espectador é um voyer presente com uma câmara curiosa e próxima que se molha com a chuva e se embacia com o sofrimento. Em «The Revenant» temos um jogo homem vs homem e homem vs natureza, em que a lei do interesse - no caso do urso de defender as suas crias, no dos indígenas de sobreviverem à conquista do homem branco, no caso de John Fitzgerald de defender as suas ambições mesmo que mesquinhas e erradas, e no caso de Hugh Glass de efetivar uma vingança de forma a fazer jus ao mal que lhe fizeram - fala mais alto entre as várias adversidades, malícia e perspectivas de perda que são apresentadas no filme. Baseado em factos reais, já exibidos anteriormente num filme e em outras histórias escritas, não é a primeira vez que a história de Hugh Glass é contada nem alterada. Muitos pontos já foram acrescentados no novo filme em que se mantém intactos alguns como o ataque do urso ao qual Glass sobreviveu e os dois colegas que ficara com ele no seu quase leito de morte (Fitzgerald e Bridge). Desta base, embora a história não seja o ponto mais forte do filme, foi dado um novo foco centrado na vingança e resiliência que concedeu à história uma complexidade mais interessante, mas que não atingiu o patamar de obra-prima pelo menos nesse ponto particular. Todavia, os visuais compensam, com uma experiência sensorial, profunda, ansiosa, que nos faz lutar pela personagem de Dicaprio (muito física como já mencionei, com pouco diálogo mas muito esforço emocional) e nos faz odiar (por dar corpo de uma forma tão realista ao vilão, algo em que o ator consegue ser mesmo bom desde «Bronson») a de Tom Hardy, numa longa mas nada aborrecida jornada (como é hábito nos filmes de Iñarritu, mas que tanto gostamos) que nos faz ir do 8 ao 80, com elementos tão inexoráveis e realistas como por vezes intercalados com cenas surrealistas e oníricas. Embora tenham havido comparações a Malick por parte da crítica, julgo que os mesmos que as fizeram certamente não conheceram o cinema de Iñárritu que não é d'agora que tem estes visuais, duração ou reflexões, o que faz com que custe ainda mais ler sobre isso; Tomemos por exemplo «Amores Perros», «21 Gramas», «Biautiful», «Babel» e/ou mesmo o seu mais recente e oscarizado «Birdman».

«The Revenant» é uma obra-prima das sensações que não é totalmente "prima" por a história não acompanhar o qb a sua grandiosidade técnica e qualitativa de performances que enchem o ecrã e olhos do espectador numa intensa viagem, com tanto de genuíno como exacerbado, onde tanto Hardy como Dicaprio brilham, mas onde irrevogavelmente o cunho de Alejandro Iñárritu está presente em cada take.

Crítica‬: «Steve Jobs» (2015) de Danny Boyle



Há uns dias vi um documentário sobre o génio que revolucionou o computador e o tornou naquilo que hoje chamamos de Mac, nele era apresentado um criativo diferente, menos humano, mais destrutivo e frio, que viveu com o objetivo de ser "Deus". "Think Different" é uma interessante forma de abordar o mundo visto por Steve Jobs, odiado no meio laboral pelos seus colegas devido ao seu temperamento e por vezes falta de ética para conseguir alcançar os seus objetivos, Jobs foi sem sombra de dúvida um génio, no que diz respeito a ver as coisas de uma perspectiva diferente, igualando a tecnologia à arte, tornando o computador numa extensão do ser humano mais vaidoso. 

No entanto, o que o documentário mostrou foi um pouco diferente do que o filme fez. Na obra realizada por Danny Boyle vemos uma evolução ou derreter do homem de aço que Jobs passava para o exterior ser. Vemos alguém com as suas fraquezas, embora bem escondidas, com traumas, ressentimentos e vontade de ser amado por todos.Talvez não seja essa a verdadeira persona de Jobs, pelo menos na vida real, mas isso não invalida que a construção da história tenha resultado numa bela epopeia sobre como a falta de aprovação pode ser um factor crítico para determinar as nossas ações futuras, envolvendo-nos num mundo distorcido por fantasmas e inseguranças que é facilmente combatido ou camuflado pelo receio dos outros, aqueles que afastamos ou tratamos mal sob medo de virem-se a tornar uma fraqueza, a nos magoar. E neste filme conseguimos perceber ou pelo menos imaginar esse lado humano que Jobs poderia ter tido, se é que não o teve, mas isso apenas saberemos por relatos de terceiros...Tirano, com métodos muito próprios de trabalho, foi o visionário que conseguiu ser despedido e depois recontratado para salvar a mesma empresa. Vingança ou não, Steve ganhou e é isso que vemos no filme, mesmo que tenha acontecido nos últimos anos da sua vida, quando conseguiu finalmente olhar para além dos traumas e ressentimentos, procurando aquilo que realmente importava e tinha na sua vida, que sempre o acompanhou embora o renega-se: a sua filha e os seus amigos que sofreram para o acompanhar ou fazer ver como poderia ser destrutivo. Michael Fassbender e Kate Winslet saem-se bastante bem num filme que se torna mais intenso nos últimos minutos, embora seja interessante ao longo de toda a sua história apresentando-nos a obsessão de um homem pela perfeição imperfeita e criatividade, pela tecnologia, mesmo que não fosse um génio técnico, era um génio visionário que merecia o ódio, inveja e admiração de muitos. Seth Rogen também faz um papel competente, contracenado mesmo que menos tempo ao lado da dupla esmagadora em talento que é Winslet-Fassbender. 

Em alguns momentos esqueci-me que o protagonista era o ator e vi Jobs, o que é interessante porque a caracterização facial não é semelhante, mas a mestria em ser próximo daquilo que o CEO da Apple foi em atitude e personalidade fez com que o revisse. 

Embora o filme possa não surpreender tanto por nos últimos anos terem saído diversos conteúdos sobre Jobs, incluindo também um filme homónimo, este é uma interessante películas que merece ser visualizada, bem mais do que os mais destacados na corrida aos Oscares, a meu ver.

Crítica: «The Big Short» (2015)


«The Big Short» é um filme pequeno em diversos aspectos, mas com potencial para bem mais. Apesar da interessante informação, que desmistifica de uma certa forma como funciona a Wall Street/Economia que deu lugar ao crash em inícios de 2000, perde-se entre uma abordagem de mockumentary, com diversos movimentos de câmara, que misturam documentário e ficção numa história baseada em factos reais  mas com um tom de sátira, jucoso. O humor, esse, é também recorrente durante toda a película, mas poucas vezes eficaz, talvez por os vários intervenientes terem uma unidimensionalidade enfadonha, complicando o interesse pelo filme quando somos bombardeados com termos técnicos de 5 em 5 segundos. Menos eficaz ainda é a caracterização, fraca, perucas descaradas com um visual meio forçado para um filme de grande orçamento, que não justifica a utilização desse tipo de adereços... 

O melhor é mesmo alguns momentos da montagem que com alguma comicidade opõe ou ladeiam as pessoas entretidas com tudo o que é "estúpido", enquanto vemos alguns dos protagonistas preocupados em saber o que realmente se passa com a economia/bancos/ações. Outros plus é a interpretação de Christian Bale, mais uma vez extremamente física, e os cameo's de várias celebridades enquanto explicam termos técnicos que aos comuns mortais (entenda-se fora dessa área específica da Economia/Finanças) nada dizem antes de ver o filme. Contudo, o excesso de informação, o malabarismo com a câmara e a terrível performance de alguns atores - devo destacar o caso do Steve Carrell que muitos apontaram como formidável (até digna de um Oscar) e a meu ver foi das piores interpretações com um forçado melodramatismo que crispou demasiado com o tom pouco sério da trama, onde percebemos que o ator está pouco à vontade; alguns comentários pela web falavam de um papel cómico (???!!!), perdoem-me mas não consigo perceber onde nem como há algo de hilariante ali, penso que deviam rever alguns dos seus filmes como «Dan in Real Life», por exemplo. Para além disto, alguns aspectos passam ao lado numa primeira visualização devido ao ritmo frenético, que poderia funciona com uma história de base mais "humana" e envolvente. Os inputs do trailer levantaram o véu a grande parte da narrativa, mas deixaram a sensação de um possível cruzar de histórias, esse que de algum modo, caso existisse, teria sido realizado pela personagem do Ryan Gosling, quase de forma ominipresente. No entanto, não é isso que se verifica. Temos um Bale isolado, mas que não desilude mesmo aparecendo pouco em ecrã. Um Brad Pitt metido à força sem motivo válido, com dois jovens que querem entrar na bolsa - de salientar que parecem atores saídos de uma comédia juvenil de parca qualidade. E um Ryan um pouco deslocado com um papel cliché e pouco desafiador, próximo do que fez em «Crazy Stupid Love» mas de uma forma má.

Falta a "cola" entre toda a história, que mesmo com uma base real, tem, para o público, de ser consistente e atrativa, caso contrário mais vale mesmo fazer-se um documentário. «The Big Short» falha nisso servindo-se mais da fama dos atores presentes do que do seu talento.

Em suma, vale a pena ver o filme, pelo deslindar daquilo que se passou e potencialmente se virá a passar nas próximas décadas com outro crash, em que na verdade é sempre o povo que paga, com mais um resgate para sustentar os bancos fraudulentos e endinheirados, sendo que os mais poderosos saem impunes e apenas um bode expiatório arca com tudo na prisão - é a realidade nos EUA, em Portugal e Mundial, infelizmente. Saímos da sala com a vontade de tirar o nosso dinheiro dos bancos e começar a esconder debaixo do colchão, o que por um lado pode parecer negativo mas por outro ser sinónimo de que a mensagem do filme funcionou.

Crítica: «The Danish Girl»


«The Danish Girl»: Boa dupla de atores, Eddie Redmayne brilha (e deve ser de novo nomeado ao Oscar de Melhor Ator, prémio que ganhou no ano transacto) uma vez mais num papel camaleónico desta vez na pele de um dos primeiros transgenders masculinos da história. Já Tom Hooper apresenta-nos uma realização preguiçosa, sem grandes surpresas ou engenho, de um certo modo sabota o filme, apenas com visuais interessantes mas uma abordagem pouco realista num processo muito simplificado do que é nascer mulher no corpo de um homem. 

Se tiver nomeação A Melhor Filme por parte da Academia será por pura convenção, não por realmente merecer; a meu ver, claro.

#Filmes que vi: Hatari! (1962), de Howard Hawks



Sean Mercer: Pockets, what are you doing?
Pockets: I'm trying to milk the goat.
Sean Mercer: Well, that's the wrong kind of a goat - that's a ram!

O Cinema's Challenge deseja Bom Natal!


A todos um Feliz Natal para contrastar com as dificuldades do dia-a-dia. Aqueles que têm dúvidas se fazem o que está certo apenas porque é o caminho mais difícil, pensem que um dia poderão olhar para trás e perceber que foram fiéis a vocês mesmos, quanto aos outros espero que aprendam qualquer coisa com o passar dos anos e ganhem alguma consciência e percebam que não estamos por cá para sempre.

Aqueles que estão sozinhos, adotem um animal, geralmente são melhor companhia que cerca de 90% das pessoas. Aos que estão acompanhados, aproveitem a presença dessas pessoas e não se esqueçam delas durante o resto do ano.


É provável que a vida nunca seja perfeita, mas é para isso que temos os filmes e livros, regra geral, com um final feliz.


Muitos doces. Presentes. Gatinhos e coisas boas.

Oh.Oh.Oh. Miau. Miau. Miau. Bom Natal!

***

Crítica: «Star Wars: The Force Awakens»


«May the force be with you» foi provavelmente o mantra adotado por J.J. Abrams quando abraçou o desafio, ou sonho de infância enquanto fanboy declarado, que daria origem, 10 anos depois de ter sido lançado «Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith» (o terceiro e último capítulo da "nova" trilogia; e menos mau, onde finalmente o lado negro da força prevalece), ao sétimo filme da saga mais popular e amada da história de cinema de sci-fi: «Star Wars: The Force Awakens».

As prequelas (I, II e III), e até à chegada deste novo episódio os mais recentes filmes da saga, foram para a maioria dos fãs da trilogia original (IV, V e VI) uma grande desilusão. Os excessos de George Lucas vislumbrado na altura pelas possibilidades infinitas (tendo em conta a época) de uso de CGI nos seus novos trigémeos fizeram com que 90% dos visuais fossem green screen, posteriormente completados com efeitos especiais digitais. Desde um número incontável de novas criaturas, com aspectos que hoje em dia podemos ver superiorizados quer na animação ou em videojogos, bem como a substituição de personagens míticas da saga original, como foi o casa do Yoda, tudo "sofreu" com o toque de Lucas, que, infelizmente, na altura não foi sinónimo de qualidade, mas, sim , de destruição. Muito porque em prol dos visuais trabalhados - que certamente foram revolucionários para a altura principalmente pelo lançamento de obras como «Jurassic Park» e ao olhar de muitos funcionou como se de magia se tratasse, talvez a mesma sensação tida pelo homem quando viu pela primeira vez o fogo -, sofreu o argumento, cuja história demorava a desenvolver-se, com diálogos bacocos de parca qualidade (relembro as cenas românticas entre Anakin e Padmé) e fracas prestações dos protagonistas como Natalie Portman e Hayden Christensen. Aos olhos das possibilidades que hoje temos em mãos relativamente à aplicação adequada e pensada do CGI balançado com um bom argumento e ao envelhecimento de qualidade da trilogia original mais antiga em idade (iniciada em 1977 e terminada em 1983), percebemos como as prequelas erraram e onde George Lucas foi longe demais. Tudo isto, para explicar o porquê do sétimo e mais recente filme ser uma lufada de ar fresco no que toca a equilíbrio para os seguidores da saga, que finalmente receberam o seguimento decente que estavam à espera há mais de 30 anos. 


A receita utilizada por J. J. Abrams foi simples, mas um risco. Claramente conseguimos perceber que optou por um polir dos excessos de CGI (empregues por Lucas em toda a saga, com resmasterizações que fizeram, e ainda fazem, fãs arrancar cabelos) e fez uma homenagem aos primeiros filmes de «Star Wars» com a utilização de visuais e materiais mais táteis e simplificados, e isso aplicou-se também à conceptualização das criaturas que mesmo não humanas têm texturas e dimensões similares a algo físico. Essa aliança foi a chave para o equilíbrio, pelo menos da parte estética do filme que não deixa de ser complexa de uma forma harmoniosa. As cenas de ação também estão presentes e são intensas, viajando por ambientes fantásticos.

E nesta mesma linha de aprender com os erros do passado, nota-se a o empenho em evitar um filme de ficção cientifica repleto de clichés e diálogos sem qualidade, utilizando um discurso mais elaborado (inteligente e com humor) para envolver o público nesta nova sequela - mais uma vez à semelhança dos filmes originais, mas aprimorado aos tempos de hoje e aos desejos de entretenimento do público. 

Ficamos desde cedo com a sensação (boa) de que as novas personagens apresentadas não são uni-dimensionais e que muito haverá para descobrir ao longo do filme (e quiçá nos próximos). Para além disso, temos algo que nas prequelas não existia: química entre as personagens e respectivos atores que lhes dão vida, não havendo uma quebra ou distanciamento entre as duas gerações, mas sim um sentimento de coesão para quem vê como se duas linhas temporais se fundissem dando lugar finalmente ao despertar de uma nova geração e à expansão do universo SW. Os primeiros passos já foram dados com algumas mudanças evidentes. A antiga Aliança Rebelde é agora denominada Resistência que contra-ataca a Primeira Ordem, liderada por um novo aliado membro dos Cavaleiros de Ren que não é um Sith.


A escolha dos novos elementos do elenco também foi um aspeto interessante, que demonstrou cuidado e estratégia por parte do novo realizador. O encabeçamento da personagem feminina (Rey desempenhada pela atriz emergente Daisy Ridley que agarra a personagem com unhas e dentes) como protagonista assenta que nem uma luva na imagem forte que esperamos da próxima jedi, sendo também benéfico desta vez ter na Força uma mulher (algo inteligente da parte do J.J. Abrams, mesmo que isto já constasse dos livros aos quadradinhos da saga, o realizador poderia ter optado por alterar como já aconteceu antes e acontece inclusive no próprio filme que risca, pelo menos para já, a possibilidade de Kylo Ren e Rey serem gémeos e ambos filhos de Leia e Han Solo) que relembra, e homenageia de certa forma, a importância das diversas personagens femininas que desde os primórdios da saga levantaram de forma destemida armas quando necessário (como por exemplo a Padmé ou a Leia) desafiando assim, mesmo com menos tempo da antena, o lado negro da força. É também o sinal dos novos tempos que astutamente foi conciliado com o novo capítulo a seguir para levar ainda mais pessoas ao cinema. 


Temos também uma boa interpretação por parte do co-protagonista masculino John Boyega, que interpreta a personagem Finn - um Stormtrooper que decide fugir do exército da Primeira Ordem em busca de liberdade; o facto de terem escolhido um ator preto pode soar tanto como irónico (desculpem se isto soa racista, mas veio-me à cabeça enquanto vi o filme) por fugir do lado negro da força como uma pensada manobra de juntar mais uma minoria (como é o caso da personagem feminina enquanto jedi) e conferir-lhe Força mais um elemento para levantar as hostes do público... Ainda sobre a decisão de Finn abandonar a Ordem, fiquei com a sensação de que este acontecimento não foi apenas um acaso de alguém que percebeu que não queria servir o lado negro da força, mas antes um sinal ou instinto de que o ex-soldado teria alguma ligação (familiar ou passada) ao lado da luz, o que espero que se confirme nos próximos episódios. Todavia, nem tudo pode ser perfeito e uma nova adição (igualmente importante à da personagem de Rey) parece para já ser um erro de casting. 


A personagem de Kylo Ren desenvolvida pelo ator Adam Driver pareceu-me muito imatura e pouco sombria. Esperava uma performance mais séria e temível, visualmente mais semelhante ao Darth Vader ou mesmo ao Darth Maul, que perturbasse o público e nos fizesse recear o novo vilão. Porém, a partir do momento em que vemos a personagem a descontrolar-se vezes sem conta, usando o seu lightsaber como se de um brinquedo se tratasse, ou no momento em que se questiona como se fosse um padre e tivesse sido assediado pela Soraia Chaves, quer um quer outro fazem parecer aquele que deveria ser a representação da nova geração do lado negro da Força apenas uma criança birrenta que fugiu da casa dos pais porque não teve a versão mais recente da Playstation. Agora a sério, tive imensa dificuldade de em conseguir levar a sério a personagem, esperava tudo o que já mencionei, incluindo ainda algum sadismo controlado, mas realmente apenas num momento muito exacto que nos faz cortar a respiração e partir o coração (embora eu tivesse dito baixinho no cinema que isso iria acontecer, mas lá no fundo não acreditava que sim) vemos alguma esperança naquele aspirante a vilão. Talvez seja essa a ideia, para conseguirmos gradualmente perceber a evolução de Kylo para mergulhar definitivamente no lado negro da Força. Mas, mesmo assim, esperava mais do que os quase dois metros de altura do ator, ainda com uma postura pouco imponente especialmente em comparação com a antagonista Rey. 


Mesmo que não humano, é importante não deixar de mencionar que o novo droide BB8 é irresistível e emocionalmente muito bem conseguido, tendo conquistado seguramente o coração de todos.

O truque do realizar foi também o de embebedar o público com nostalgia, bebida aos (bons) episódios passados, por intermédio das diversas personagens envelhecidas que foi reintroduzindo ao longo das quase três horas de filme. Temos a Princesa Leia, temos a dupla inseparável (e que levamos no coração sempre que falamos de SW) Han Solo e Chewbbaca, temos CPO3, R2D2 e Luke Skywalker (o até então anterior jedi), todos desempenhados pelos atores originais. É uma viagem que realmente para um seguidor da saga não é fácil de digerir emocionalmente sem soltar algumas lágrimas ou pelo menos fazer alguma força para não as soltar.


Depois desta longa viagem alucinante a uma galáxia muito muito distante, percebemos que a inovação-controlada de J.J. Abrams para já foi possivelmente a decisão mais correcta para continuar a saga e iniciar um novo conjunto de filmes, cuja época e história terão de no futuro ser bem mais do que foi introduzido neste sétimo episódio, caso isso não aconteça poderá acontecer um dos maiores pesadelos de um fã de SW: que a anterior trilogia, portanto a prequela, pareça boa! Outras conclusões são que existem histórias ainda por revelar: ligadas à origem de Rey e de Finn; aquilo que realmente terá motivado Kylo Ren a indagar para o lado sombrio interrompendo os seus treinos com Luke para se tornar jedi; e o porquê de Luke ter-se isolado e fugido.

Agora, é de esperar que não sejam deixadas pontas soltas nem plot holes descarados e que o realizador de «Star Trek» tenha capacidades para construir daqui para a frente um renovado universo coeso e bem explorado sem ficar na zona de conforto e colar-se demasiado ao Lucas clássico; principalmente porque ainda não estou totalmente convencida com o trabalho dele enquanto realizador, que além de ter poucos e fracos filmes, ainda hoje me faz lembrar o quanto violadas senti as minhas memórias do filme «E.T.» quando vi a sua "homenagem" caceteira intitulada «Super 8». Ainda a acrescentar, é de que as minhas expectativas para este «Despertar da Força» eram baixas, por isso optei por não ver nenhum dos materiais de divulgação, como trailers, teasers ou diversas notícias lançadas sobre o filme, isso poderá ter contribuído para a boa recepção e olhar limpo aquando da visualização do filme; o que recomendo. Posto isto, mantendo a minha nova praxe, é mais do que certo que verei (pelo menos) também a próxima aventura de modo a apurar de que lado da Força está  realmente Abrams. Até 2017!

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#Filmes que vi: «Mistress America», de Noah Baumbach




Brooke: I think I'm sick, and I don't know if my ailment has a name. It's just me sitting and staring at the internet or the television for long periods of time, interspersed by trying to not do that and then lying about what I've been doing. And then I'll get so excited about something that the excitement overwhelms me and I can't sleep or do anything and I just am in love with everything but can't figure out how to make myself work in the world.
Tracy: I think I have that too.

Primeiro Trailer de «X-Men: Apocalipse»


Todas as semanas, senão todos os dias, somos presenteados (os geeks) com mais um teaser, poster ou trailer de mais um filme de super-heróis. Hoje, depois do flop que se revelou o remake de «Fantastic Four», chegou-nos diretamente da Fox o primeiro trailer de «X-Men: Apocalipse», de Bryan Singer - a única saga dotada de super-poderes que até ao momento tem mantido sorridente a Fox quando olha para a box-office; ao contrário dos filmes individuais sobre a personagem Wolverine que ficaram bem aquém das expectativas.

No trailer, podemos ver caras bem conhecidas como James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, e Olivia Munn. Além de que ficamos com uma leve ideia da narrativa, envolta sobre um novo vilão (Apocalipse, interpretado por Oscar Isaac) que é possivelmente o mais antigo e poderoso mutante da Terra. Desiludido com aquilo em que a terra se tornou, o mesmo pretende recrutar outros mutantes para instaurar um reino sob o seu comando; Magneto (Michael Fassbender) parece ser um deles. Mediante um conflito iminente, o Professor Xavier (James McAvoy) e Mystique/ Raven (Jennifer Lawrence) têm a missão de reunir o grupo de jovens mutantes e parar o vilão, salvando assim a humanidade da destruição total.

Estava à espera de um trailer mais cativante, sobretudo depois do falhanço acima mencionado do remake de «Fantastic Four» e da ausência da Fox com grandes produções nos últimos tempos. Mas também, confesso, nunca fui uma fá acérrima dos mutantes em live action, ficava bem a ter apenas na memória a versão animada que me acompanhou durante boa parte da infância ou mesmo só os comics cuja qualidade são indiscutíveis. Outro aspecto que não me agradou foi o destaque evidente de Jennifer Lawrence ao longo de todo o trailer, deixando figuras mais relevantes como o Professor Xavier para segundo plano.

A estreia está prevista apenas para o novo ano, 2016.

Colaboração com blog «A Janela Encantada»


A convite do blogue «A Janela Encantada», escrevi uma crónica sobre a vida e obra de Audrey Hepburn, uma das minhas atrizes preferidas. Foi um enorme prazer contribuir para o ciclo «Audrey Hepburn: Divas de Hollywood III», e é por isso que vos convido a visitar o blogue e a ler o texto. Obrigada.

Natal é quando um Homem quiser

Existem determinados filmes adequados à época natalícia. Alguns foram feitos quase exclusivamente para essa temporada especial como é o caso do «Home Alone» ou «The Family Man» que nos deixa uma lágrima de nostalgia no canto do olho e o coração quente (mesmo que a qualidade possa ser um pouco duvidosa), porém existem outros transversais a qualquer altura do ano, em que mesmo incluindo o tema Natal, e sendo ótimos para essa época, são sempre, em qualquer dia, uma boa sugestão e/ou opção de qualidade. E são precisamente esses filmes que venho partilhar, pois, como se costuma dizer, “Natal é quando um Homem quiser” e com estas propostas pode ser em qualquer um dos 365 dias do ano.



«It’s a Wonderful Life» (1946) é um dos filmes mais comoventes relacionados com a época, uma verdadeira ode ao espírito humano e existencialismo. Realizado pelo grande Frank Capra, é um clássico natalício que encantou gerações, com uma mensagem que tem tanto de sublime como de universal: a de que nenhum homem é um fracasso quando tem amigos e família.



«The Nightmare Before Christmas» (1993) usa a técnica do stop-motion para apresentar o mundo de Jack, onde os visuais góticos desenhados por Tim Burton (argumentista e produtor) presenteiam-nos com uma estória insólita - que tem tanto de divertida como de sombria.



«Love Actually» (2003) é uma comédia romântico-dramática britânica de excelência, com a dupla mão de Richard Curtis (argumentista e realizador). Tão ecuménica como o amor, a película exibe 10 histórias independentes, que se cruzam e descruzam, mostrando diversos aspetos das relações amorosas.


«The Bishop's Wife» (1947) passa uma mensagem sentimental e poderosa: a de que a família nunca deve ser esquecida. Para além disso, conta com Cary Grant, um dos ícones do cinema clássico.



«Scrooged» (1988) é uma das muitas versões adaptadas do clássico de Charles Dickens, «A Christmas Carol». Com a única diferença de se passar num tempo contemporâneo, onde Bill Murray brilha na pele de Frank Cross, um diretor de um canal de TV, materialista e calculista que se vê obrigado a repensar toda a sua vida…



«Edward Scissorhands» (1990) roda à volta de uma personagem absolutamente fantástica e bizarra que é encontrada por uma revendedora da Avon, num castelo abandonado. Com Johnny Depp e Winona Ryder como co-protagonistas e Tim Burton na realização, o resultado é o esperado: romântico, negro e fabuloso!

Texto originalmente redigido para a Revista SPOT.











Desafio: Sabem a que filme pertence esta cena?


Deixem a vossa resposta nos comentários, no fim da semana deixarei a solução.

10 Críticas ao trailer de «Batman vs. Superman»


Com muito atraso, partilho aqui o novo trailer de «Batman v Superman: Dawn of Justice», após mais uma vez ter sido divulgado no talk show de Jimmy Kimmel. Contudo, para os fãs que aguardavam ansiosos pelo trailer, nem tudo correu bem; digamos que o número de spoilers recomendáveis foi ultrapassado e as revelações deixam bastante a desejar...E é já possível apontar uma mão cheia de críticas que pressagiam aquilo que pode correr mal nesta sequela de «Man of Steel». Vejamos:


1. A mudança brusca para uma abordagem menos séria  - como o que aconteceu no anterior filme, no qual tentaram seguir a receita nolaniana que também não resultou - à semelhança do que a Marvel tem feito há anos parece forçada e destoante do tom original  negro (dos comics e anteriores filmes) associado ao universo DC. Se virem em loop a cena final do trailer, começam a perceber o grau exagerado de "tentativa de humor" empregue. Lanço-vos esse desafio.

2. Pelo trailer, a personagem de Superman - sempre conhecida como um defensor da "truth, justice and the American way", moralista e interessado em ajudar em primeiro lugar os humanos que o acolheram - parece demasiado alienado e agressivo (algo que é antagónico à sua personagem nos anteriores filmes e à original dos quadradinhos), quer por não reagir quando é vaiado, quer pelo tom autoritário usado contra Batman ao falar com Bruce ou quer por prender pelos pulsos o Batman e outras pessoas, como podemos ver no teaser precedentemente lançado. É preciso não esquecer que no filme anterior, o herói de Metropólis também mata o vilão num momento de fraqueza, pelo que parece que a integridade desta versão de Superman não é a sua maior virtude.

3. Porque é que o Lex Luther (Jesse Eisenberg) parece ter tomado um psicotrópico qualquer ou com um ataque histérico como se tivesse hiperatividade? Além do mais, os maneirismos, cabelo, postura e associação à psicopatia fazem lembrar a personagem Joker, nomeadamente a última desempenhada por Heath Ledger. Será apenas coincidência? Ou a tentativa de voltar a repetir a mesma receita que em «TDK»? Não duvido das capacidades de Eisenberg, que até simpatizo, mas o escalamento irritante da personagem parece apenas "demais"...

4. Parece que o Doomsday foi o resultado de um affair entre uma tartaruga ninja (as do filme de live action do Michael Bay) e um troll (do «Lord of the Rings»). E porque raio revelaram o aspeto dele no trailer? Existem assim tantas surpresas para o filme que façam com este "spoiler" seja só um pormenor insignificante? Além de que muito provavelmente o cadáver do General Zod será a base para este "monstro de Frankenstein". Hum...

5. O aspeto da Wonder Woman já é público há bastante tempo, mas queria apenas aproveitar este artigo para mencionar que embora a beleza integral da atriz seja clara (o que agrada ao público especialmente masculino) é, todavia, também importante ter em conta que esta não tem o cabedal suficiente para dar vida à super-heroína que é uma princesa guerreira amazona perita em intimidar os seus inimigos.

6. Depois de um primeiro filme («Man of Steel») em que o Super-Homem destruiu de forma imprudente grande parte de Metropolis (e provavelmente matou ainda bastante pessoas), vemos aquilo que parece ser uma estátua em sua homenagem como uma espécie de memorial...Enquanto que a personagem de Batman parece ser desprezada, inclusive pelo próprio Superman.

7. Lex Luthor é assumidamente, pelo trailer, uma personagem manipuladora, que pelas piadas (mais uma vez jokerianas) parece conhecer a identidade de Batman e de Superman. Pelo que se a história for unidimensional como o trailer parece ser, provavelmente, o conflito entre Superman e Batman é o resultado das ações do milionário.

8. Já no anterior filme, a personagem de Lois Lane, desempenhada por Amy Adams, teve uma pior prestação do que uma pessoa em coma, pelo que pergunto qual é a ideia de a colocar também neste novo filme (e acentuar isso no trailer), quando as personagens se multiplicam? Será para frisar que esta é uma sequela do «Man of Steel», ou seja um filme do Super-Homem, e não o primeiro filme de Batman pela mão de Zack Snyder?

9. Não acham que já era tempo do Henry Cavill conseguir não parecer um boneco Ken? A pouca naturalidade do seu acting e falta de expressividade torna a performance do Ben Affleck quase boa, e olhem que isso é complicado especialmente quando ele não faz de si mesmo...

10. Insectos gigantes (Darkseid?)...E três vilões mais três heróis num único filme? Ok.


E vocês, o que é que acharam deste último trailer?