Balanço: Cerimónia dos Óscares Morta

22:16:00 Cinema's Challenge 7 Comments

Por aqui o sentimento de surpresa não foi sentido. E julgo que desse lado isso também não aconteceu. A verdade é que a entrega das estatuetas decorreu exactamente como o esperado, foi uma noite sem surpresas e os resultados foram ao encontro das previsões feitas pelos analistas. O galardoar do "Discurso do Rei" como Melhor Filme, Natalie Portman como Melhor Actriz, Colin Firth como Melhor Actor, Chritian Bale como Melhor Actor Secundário, etc... A revelação de um ou outro nome ainda criou uns segundos de suspense e dúvida, mas essa acabou rapidamente dada a velocidade em que este a ano a gala parece ter decorrido. Das duas uma, ou é 8 ou 80: ou a Academia faz uma cerimónia conservadora e interminável ou faz algo diferente e de uma fugacidade exagerada, pelo menos no meu psicológico foi assim que percepcionei a gala. Que parece estar 'mais para lá do que para cá'; a morrer aos poucos.

De inicio nem desgostei, até confesso que estava receptiva aos dois jovens que tomaram o comando este ano - James Franco e Anne Hathaway-, porém a uma certa altura já nem me lembrava que existiam, apareciam mais vezes actores random do que os destacados para apresentar uma das cerimónias mais importantes do mundo do cinema. Hathaway tentou ter piada, mas apenas me fez lembrar a sua personagem mais terrível do filme "Diária da Princesa", Franco actualizava mais o seu FB do que animava a gala.Parece que a solução não é também por jovens a dirigir uma gala daquele calibre.

Confesso que tenho pena que algo tão mítico que é a Gala dos Óscares se tenha tornado em algo sem magia e cada vez mais banal. Onde filmes espantosos nunca chegam a ser considerados sequer em alguma categoria, quer por serem de realizadores menos conhecidos ou prestigiados, quer por serem estrangeiros, quer por terem saído muito cedo nas salas do cinema, ou simplesmente porque não. São eles "Shutter Island", "Cópia Certificada" ou mesmo "Blue Valentine" que apenas foi mencionado a propósito da nomeação de Michelle Williams para a categoria de Melhor Actriz. Para não falar da forma como ignoraram Nolan a não lhe darem a nomeação para Melhor Realizador sequer. Ainda falam das injustiças para com a "Rede Social", que de longe considero não ser merecedora de qualquer prémio além da montagem e soundtrack original.

Deste encontro de estrelas ficam também as lembranças de filmes geniais que levaram para casa pouco mais do que vitórias em categorias 'técnicas' - "Inception", a vitória de actriz principal - "Black Swan" ou, por fim,num caso ainda mais gritante, ir para casa com uma mão atrás e outra à frente, que é como quem diz: Sem nada - "True Grit". O Rei que gaguejava, por outro lado recebeu bem mais do que esperava, falou e falou bem levando o prémio que é talvez considerado como mais o importante, além das numerosas nomeações, não se ficou por apenas um, acumulando mais 3 - o de melhor realizador, actor e argumento original. No fim de contas, o Rei manda. E realmente mandou.

7 comentários:

  1. Não vi a cerimónia, mas depois de ver os vencedores, foi com essa sensação que fiquei. Previsibilidade e aborrecimento. O discurso do Rei, um filme mediano, e que poucos se lembrarão daqui a meia dúzia de anos, venceu as principais categorias. Foi pena..


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  2. Catarina: Obrigada :)

    Rafael e Bruno:infelizmente,sim :(

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  3. André:Também, mas pensava que serem novos seria um 'pro', não um contra.

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  4. Boa análise. Concordo com quase toda ela, muito especialmente quando te indignas com a escandalosa falta de Shutter Island, Copie Conforme e Blue Valentine.

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