"Seeking a Friend for the End of the World": o amor está onde menos se espera

09:25:00 Cinema's Challenge 4 Comments

«O Fim do mundo» é uma expressão que tanto literalmente como metaforicamente desperta o melhor ou o pior das pessoas. O segundo caso é o mais comum em muitos dos filmes estreados nos últimos anos que têm como pano de fundo a profecia dos Maias. Ataques de zombies, desastres naturais, invasões alienígenas, pandemias, armas de destruição maciças, entre outros, são os panos de fundo usados para contar muitas histórias apocalípticas. Todas com abordagens bem dispares, porém todas com esse elemento em comum: o fim da humanidade tal como a conhecemos. São assim filmes que põe o público a pensar, tocando nos seus mais profundos medos. Dos mais recentes temos «4:44», «Melancolia», «Contágio» e de «The Road», que exploram os últimos dias de vida da humanidade. São obras que tratam o assunto de uma forma mais negativa e mostram a pior faceta da sociedade; quando esta é confrontada com a sua luta pela sobrevivência. 

Mas ao contrário destes, «Seeking a Friend for the End of the World» propõe uma receita bem mais optimista e talvez mais real quando se depara com o fim do mundo. Não querendo, por isso, dizer que não tem um tom dramático e desesperante, inerente ao próprio tema, porque o têm. Aliás, não o esconde e nem oculta que não pretende equilíbrios entre os géneros, mas, sim, um filme que flua por si mesmo. Temos comédia: com alguns momentos digno no início do filme (não fizesse Carell parte do elenco), porém vai-se tornando mais gratuita com o desenrolar deste, acabando por perder as gargalhadas do espectador. Temos drama: mesmo que meio mascarado com algum humor negro, há episódios bastante tocantes, que resultam bem. São fortes ao ponto de pensarmos no nosso percurso de vida e de nos comover. Temos romance: dotado de alguns momentos bonitos e até anti-românticos, o que os torna, por ironia, ainda mais românticos. Contudo, a uma certa altura da história existe também um excesso de fofura e melosidade que não sabemos bem de onde veio nem para onde caminha, acabando por manchar o tom descomprometido do filme. Para não falar do restante elenco, que é tão secundário e desnecessário que sem o mesmo o filme teria o mesmo sentido. De tudo, é talvez nestes dois pontos aqui que a realizadora e argumentista Lorena Scafaria condena o filme à mediocridade

Na história de «Até que o fim do mundo nos separe» o mundo tem os dias contados; um meteorito vai cair sobre a Terra dentro de poucos dias. Sem grandes amigos e sem esposa, Dodge (Steve Carell) vê-se sozinho. Enquanto todos optam por aproveita os últimos prazeres da vida, este não o faz. Em vez disso, acaba por conhecer a sua vizinha Penny (Keira Knightley), uma rapariga pouco comum. Com o fim do mundo próximo, ambos decidem entreajudar-se: Dodge ajudará Penny a ir ter com os seus pais e Penny ajudará Dodge a reencontrar a sua namorada de secundário. E é a partir desta premissa que a história ganha contornos.

Mesmo que esteja muito longe de ser um grande filme, tal como aconteceu com «Nick and Norah’s Infinite Playlist», com o argumento também assinado por Lorene Scafaria, o filme que faz de Carell e Knightley um casal consegue surpreender e entreter. Talvez o faça por nunca ter elevado as expectativas durante a sua promoção. Ou por não se ter apresentado ao público como um filme presunçoso: como o melhor do seu género, como muitos o fazem. Vestindo à primeira vista a pele de um road movie, acaba por ser bem mais que isso: É uma história de amor; é uma história de coragem; é uma história caricata tao impossível que se torna possível. Focando-se mais em explorar as vontades humanas e aquilo que as move. Tanto daqueles que fazem de tudo para ter uma ultima experiencia - através de orgias, festas intermináveis e invasão de casas – e que perdem o lado racional, até aqueles que procuram uma última oportunidade para saberem qual o sentido da sua vida e não deixam de ser conscientes – que é o caso da personagem principal do filme, Dodge.

A película aquece-nos a alma com temas como a solidão, a busca do verdadeiro amor, a coragem e a felicidade, que muitas vezes são esquecidos neste género de filmes. Mostrando-nos ainda que quem é bom talvez o continue a ser e prossiga assim até ao fim dos seus dias.


O melhor: O elenco e tom inicial descomprometido do filme, que oscila entre vários géneros sem nunca se tornar pesado.
O pior: O excesso de “mel” em algumas cenas e o restante elenco que pouco tem a oferecer ao público.

Nota: 6/10

4 comentários:

  1. O pior: ponte da arrábida cheia de trânsito numa quarta feira à noite que fez com que perdesse o início do filme..

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  2. Também concordo, aconteceu-me exactamente o mesmo...mas só perdi mesmo um bocadinho de nada.

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  3. No geral concordamos sobre o filme e gostamos pelos mesmos motivos. Quanto a trânsito, fui de metro para o Colombo uma sexta de manhã e não tive qualquer problema:)

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  4. É um par improvável. Por acaso é impressionante a quantidade de filmes sobre o fim do mundo que tem saído nos últimos anos. Sinais, dos tempos, I guess.

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