tela clássica: Maiores amigos,maiores inimigos

21:15:00 Cinema's Challenge 0 Comments

O mundo do cinema está cheio de histórias do arco da velha. Muitos foram os realizadores que escolheram um determinado actor como seu preferido, para o acompanhar ao longo da carreira. Josef Von Sternberg escolheu Marlene Dietrich, John Ford escolheu John Wayne, Martin Scorcese escolheu Robert de Niro. Em 1972, o realizador alemão Werner Herzog escolheu um actor polaco, Klaus Kinski, para protagonizar o seu mais recente filme – Aguirre. Kinski já tinha entrado em mais de 100 filmes, mas Herzog viu nele um olhar malévolo que seria o ideal para o papel principal deste filme - o de um conquistador espanhol obcecado por encontrar outro. A aposta foi ganha, e o filme ainda hoje é considerado uma pedra fundamental na história do cinema. Herzog escolheu Kinski para protagonizar mais quatro dos seus filmes, porém o relacionamento entre estas duas personagens estava longe de ser fácil. Era um relacionamento de amor-ódio, um complicado quebra-cabeças para quem está de fora, mas ao mesmo tempo revelava a profunda confiança entre um realizador e um actor. As discussões entre os dois eram frequentes, por várias vezes que se chegaram quase a agredir. Kinski tinha um humor bastante difícil e brigava com todos, a toda a hora. Curiosamente, durante as filmagens de Fitzcarraldo os índios que faziam parte dos figurantes chegaram a oferecer-se a Herzog para acabar com a vida de Kinski. Aparte as brigas, os resultados finais dos filmes eram sempre brilhantes, e a colaboração entre os dois prolongou-se por anos até que Klaus Kinski faleceu em 1991, três anos depois de Cobra Verde, de Herzog. Herzog ficou destroçado, e alguns anos mais tarde, em 1999, viria a produzir um documentário sobre a amizade/ódio entre os dois, ao qual chamaria Mein liebster Feind – O Meu Maior Inimigo. Era uma declaração de carinho e admiração pelo amigo, assim como uma libertação quanto ao seu ódio e obsessão, mostrando o tenso e produtivo processo de criação desta dupla de génios. O filme é imperdível para os amantes do cinema e da interpretação. Provavelmente um dos maiores documentários sobre o mundo do cinema.



Pelo Convidado, Francisco Rocha.

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