Entrevista a Rúben Alves, realizador do filme "A Gaiola Dourada"

17:28:00 Andreia Mandim 5 Comments


Muito se tem falado do novo filme "A Gaiola Dourada" ("La cage dorée", título original), do realizador Rúben Alves. À primeira vista, existem boas razões, pelo menos pelo que visionámos no trailer, para acreditar que é possível fazer uma boa comédia "quase" portuguesa: desde o escárnio inerente a alguns tiques das duas nacionalidades presentes no filme - francesa e tuga - , ao leque de actores bastante diversificado, e já com provas de valor cinematográfico, até a uma agradável composição com ritmo e, ao que parece, com bons diálogos.

Neste sentido, para conhecer melhor a receita deste 'cozinhado' luso-francês, o Cinema's Challenge entrevistou o responsável por esta prometedora obra cinematográfica, Rúben Alves, e  foi este o resultado...


O facto de ser lusodescendente influenciou a temática escolhida para o seu filme?
Claro que sim. Este filme foi feito para homenagear os meus pais e também para retratar os emigrantes portugueses, cujo modo de vida e valores ainda são bastante desconhecidos. Eu estou muito ligado às minhas raízes, ao país dos meus pais: Portugal! Mas o filme anda muito à volta da possibilidade de qualquer emigrante português voltar ao seu país de origem. E muita gente consegue identificar-se com isso.

Como surgiu a ideia para o filme, já que é também o seu argumentista?
Surgiu a partir do meu produtor que me conhece bem e incentivou-me a falar sobre a minha comunidade. É óbvio que tinha muita coisa para falar, mas com receio não escrevi nada sobre o assunto. Mas cheguei aos 30 anos e pensei que finalmente era o bom momento para falar sobre a minha comunidade com madureza.
Como realizador, esta é a sua primeira longa-metragem, porque decidiu apostar nesta experiência?
Porque é vital para mim contar histórias, seja de que forma for... Mas um filme fica para sempre! É uma boa forma de conseguir causar um grande impacto nas pessoas.

Porquê o título - a "Gaiola Dourada"?
Um dia, vi uma reportagem sobre uma porteira portuguesa que trabalhava aqui em Paris. A câmara seguia a senhora durante todo o dia de forma a documentar o quotidiano dela. A última pergunta da reportagem foi: “A senhora está aqui há 40 anos e a reforma está quase a chegar... vai voltar para Portugal?”. A senhora olha para a câmera e diz: “Claro que quero voltar para o meu país.” Depois pensa em silêncio e acrescenta: “Mas ao mesmo tempo, sinto-me tão bem na minha ‘Gaiola Dourada’ ”. Então, comecei a escrever...

O que podemos esperar do filme?
Que os 'portugueses de Portugal' conheçam melhor os seus emigrantes.

5 comentários:

Anónimo disse...

Adorei o filme e felicito o realizar por ter observado e transmitido uma mensagem realista da vida dos emigrantes e da cultura de alguns franceses.
Deverá ser candidato a prémios ou, se possível, a óscar.
Que lhe seja dado o devido valor.

PARABÉNS por este hino ao nosso país.

No momento em que o desencanto e a desesperança que fazem com que muitos tenham que emigrar, a alegria que este filme erradia faz-nos bem à alma. Obrigada.

Anónimo disse...

Para mim, emigrante portuguesa no Brasil, foi muito emocionante. Vi minha história muitas vezes nessa história.

Anónimo disse...

ALGO ERRADO NA DESCRIÇÃO DA IDADE DE RUBEN ALVES. EM ENTREVISTA À TV FRANCESA, AO PROMOVER O FILME LA CAGE DORÉE, ELE NOS REVELA A SUA IDADE ACTUAL, 33 (TRINTA E TRêS) ANOS. AQUI O LINK: https://www.youtube.com/watch?v=GBH6vPlNmLI

Andreia Mandim disse...

Caro anónimo,
esta entrevista não foi feita hoje, nem este ano, daí atualmente o realizador ter essa idade. Obrigada e agradeço comentários mais pertinentes de futuro.