Tela Clássica: I am Curious - Yellow

19:13:00 Cinema's Challenge 1 Comments

Mais conhecidos como símbolos cinematográficos da libertação sexual, "I Am Curious" são um par de filmes semi-experimentais realizados pelo sueco Vilgot Sjöman. No primeiro e mais notório, I Am Curious - Yellow (Jag är nyfiken - gul), conhecemos o mundo através dos olhos da jovem Lena (Lena Nyman), uma revolucionária incipiente cuja sexualidade e curiosidade inata levam-na a uma viagem pelo país. Lena começa um relacionamento apaixonante, mas problemático, com o vendedor de carros Börje Ahlstedt (repetido no filme e na vida real um triângulo amoroso com o realizador Vilgot Sjöman bastante tumultuoso), e as suas experiências vão desde fins-de-semana idílicos pelo campo até um despertar sexual numa clínica de saúde para reaccionários.

A história de Lena continua com "I Am Curious - Blue" (Jag är nyfiken - bla), como um estudo muito menos controverso da sociedade sueca, através de normas sociais, sistema penal, e pela doutrina religiosa e relações domésticas.“I Am Curious – Yellow” tornou-se num dos filmes mais controversos da década de sessenta, por incluir inúmeras cenas de nudez e encenação sexual. Numa cena particularmente controversa, Lena beijou o seu amante no pénis. Devido a isto, o filme foi apreendido e proibido pelo governo americano e julgado em tribunal por obscenidade sexual, e ficou com a fama de ser um filme pornográfico, o que era de todo injusto. “I Am Curious – Yellow” é um retrato bem-intencionado e honesto sobre a busca de uma jovem pela sua identidade, num cenário político confuso em plena década de 1960, na Suécia. Algumas das imagens no filme foram, sem dúvida, chocantes para o período pré-“Deep Throat” na América, mas, tendo sido lançado num período de maior libertação sexual, as poucas imagens escaldantes do filme acabam por ser encantadoras aos olhos humanos modernos . Na verdade, o filme comparado com o cinema actual, acaba por não ser nada obsceno.

A batalha judicial que opôs o realizador Sjöman ao governo americano durou vários meses, até o tribunal decidir a favor do realizador sueco. Quando “I Am Curious – Yellow” estreou finalmente nas salas de cinema, tornou-se num êxito. Tornou-se no filme em língua estrangeira mais visto nos Estados Unidos e deteve esse record durante 23 anos. Marcou um ponto de viragem nas atitudes dos Censores para com a censura sobre a nudez na grande tela e foi seguido por filmes como “Midnight Cowboy”, “O Último Tango em Paris" e, por fim, “Garganta Funda”.


Pelo convidado: Francisco Rocha
Ao mesmo, esta semana, está de Parabéns, por comemorar duplamente dois aniversários - o seu e o do seu espaço, o blogue My One Thousand Movies.

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May the force be with you!