Crítica. "To Rome With Love": Todas as relações vão dar a Roma

19:04:00 Cinema's Challenge 1 Comments


O génio incansável da comédia-romântica, Woody Allen, brinda-nos desta vez com «Para Roma com Amor», a película onde todas as relações vão dar a Roma. O realizador, que se propõe a fazer um filme por ano, repete com esta nova obra a proeza de voltar a apaixonar e encantar o público. Mas, agora, com as cores e música de uma outra cidade – Itália -, acompanhadas por um elenco de luxo com actores de múltiplas idades e nacionalidades. 

Ao contrário do que vimos em «Meia-Noite em Paris» (2011), onde havia apenas uma personagem central, à volta da qual girava toda a história, no novo filme de Allen o mesmo não acontece. Este aposta num conjunto de histórias paralelas – mesmo que tenham espaços e tempos diferentes -, tal como ocorreu em 2010, com «Vais Conhecer o Homem dos teus Sonhos». No entanto, há algo nos filmes com muitas personagens deste realizador que não me consegue agradar. Talvez por descurar outros pormenores mais minuciosos em prol da tentativa de coordenação de uma história mais complicada. Algo que não costuma acontecer nas suas narrativas mais “simples”, que acabam por ser mais fáceis de acompanhar pelo público, a meu ver.


Em linhas gerais o filme mostra-nos as vidas de alguns visitantes e residentes aleatórios de Roma. Tal como os modos muito particulares de lidarem com os seus problemas amorosos e confrangimentos pessoais. Esta película consegue envolver mais o público com a ajuda de um argumento bem inteligente. Temos quatro narrativas principais: um jovem casal romano-americano que resolve apresentar os respectivos pais; o encontro entre o passado/presente e o futuro metaforizados por um jovem arquitecto norte-americano e as suas escolhas amorosas; um homem banal que do dia para a noite se torna famoso sem saber o porquê; um casal italiano recém-casado que numa bela tarde tem novas experiências sexuais. Todas as histórias são desconexas, mesmo que tenham um ponto em comum: o impasse inerente à escolha das opções certas na vida. Esta mensagem é dada através do que vai acontecendo com as personagens de acordo com as suas acções.

Não caindo na tentação de se revelar um filme mosaico, «Para Roma com Amor» apresenta uma grande dinâmica ao expor várias personagens e as suas respectivas histórias. Com uma fotografia incrível e banda-sonora magnífica, a película vale bastante a pena ver e dá-nos vontade de apanhar repentinamente um voo rumo a Itália. Embora não me agrade muito, penso que o saltear de histórias esteja estrategicamente pensado por Woody Allen para dar ao espectador a verdadeira sensação de visitar Roma – devido ao seu ambiente cosmopolita babelesco. E para esse efeito nada melhor do que pegar em exemplos vivos existentes numa das mais célebres e visitadas cidades do mundo, onde há o encontro de pessoas provenientes dos quatro cantos do globo.


Caricata. Mordaz. Burlesca. Anómala. Moralista. São as particularidades desta comédia-romântica, que mistura um pouco de surrealismo, como aconteceu no seu antecessor, «Meia-Noite em Paris». Ainda que toque um pouco em alguns calcanhares de Aquiles subjacentes à política de Itália e aos media, por ela comandada. Mesmo que o faça de forma pouco explicita; Woody não falha. 

É também de não esquecer o interessante elenco aqui reunido: como Jesse Eisenberg, Roberto Benigni, Ellen Page, Penélope Cruz, Judy Davis (entrou nas «Faces de Harry»), Alec Baldwin e até Woody Allen. De diferentes “cinemas”, nacionalidades e gerações, a única semelhança entre eles é o facto de todos já terem feito comédia.

Embora sinta uma certa falta de ver Woody Allen arriscar, como fazia nos velhos tempos, não posso negar que fiquei deliciada com o seu novo filme. Não tem um espírito inovador, é até chamado por muitos de mais um produto de “cineturismo”, porém olhamos e continuamos a ver em cada frame a marca de Allen. O que depois de tantos filmes e anos de carreira é de louvar.


O Melhor: Um elenco de peso e diversificado, acompanhado de uma excelente banda-sonora e fotografia.

O Pior: Várias histórias paralelas, que acabam por confundir o público e limitar o desenvolvimento psicológico das personagens apresentadas.

Nota: Podem  ver esta crítica também  aqui, no site C7nema.


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