Crítica: «Safety Not Guaranteed» (2012)

06:13:00 Cinema's Challenge 0 Comments


«Safety Not Guaranteed» é um filme com os seus je ne sais quois, no entanto apresenta uma narrativa algo desequilibrada, que no final das contas não nos revela exatamente o que realmente aconteceu. Possivelmente, é esse o objetivo: deixar o espectador a pensar. Será que houve uma viagem? Mais que uma? Não temos certezas. Apenas sabemos que Darius, a personagem desempenhada por Aubrey Plaza, acreditou. Metafóricamente ou de verdade, o filme deixa no ar um conjunto de questões que gostávamos de ver respondidas: Porque razão ele (o personagem masculino Kenneth, desempenhado por Mark Duplass) mentiu sobre a sua missão? Senão mentiu como é que não foi perceber se na sua suposta primeira viagem realmente conseguiu resultados? Existem vários fossos na estória que poderiam ter sido melhor tapados. Essas mesmas lacunas dão uma certa instabilidade a «Safety Not Guaranteed», por deixar o público no final confuso e à espera de ver mais.

Mas nem tudo é negativo. Aubrey Plaza - à semelhança do seu papel em «Parks and Recreation» - agarra a personagem com unhas e dentes, divertindo-nos e hipnotizando-nos com os seus grandes olhos, esquisitos, mas peculiares. A sua performance é realmente o ponto alto do filme. O restante elenco não é mau. Todavia não têm o mesmo ritmo nem deixa uma grande marca na memória do espectador. Assim como as restantes narrativas envolventes, que não se cruzam, das várias personagens; falo do romance platónico entre Jeff (Jake Johnson) e Liz (Jenica Bergere) que tem um desenvolvimento sem sal e artificial, da questão de perda de virgindade do estudante de Biologia que está a construir currículo com o estágio - o Arnau (Karan Soni) - e, pois, claro, do pseudo-romance previsível intergeracional entre Darius e Kenneth que na verdade não convence e causa um certo incómodo. Tudo isto poderia ser encarado como aspetos pouco importantes se o filme se mantivesse na sua inicial missão: uma comédia descomprometida. Mas passa disso para uma tentativa frustrada de filme emotivo, que joga com as emoções ligadas ao poder de acreditar e vontade de ter uma segunda chance para reescrever o passado com a esperança de ter um futuro mais feliz - esse é o seu erro crasso.


Existem alguns momentos ainda bem conseguidos de diversão ao longo do filme, que nos envolvem em gargalhadas e não nos deixam indiferentes. Podemos dizer que o primeiro ato - até a personagem se envolver diretamente no caso de investigação para a entrevista - foi coeso e satisfatório, mas daí em diante as coisas começam a andar para o torto. Muitas estórias de background não são suficientemente aprofundadas para criar empatia no público ou captar a sua atenção e muito é deixado ao acaso ou esquecido ao longo dos próximos dois atos, culminando num final pouco saciante para quem está do outro da tela à espera de um desfecho que traga respostas e não deixe apenas no ar potenciais interpretações.

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