Crítica "Les Chansons d'Amours", de Christophe Honoré

14:15:00 Cinema's Challenge 1 Comments


Les Chansons d'Amour merece ser apresentado com o título original em francês por tudo aquilo que representa. Este musical, assinado por Christophe Honoré,  fala da história de amor de uma personagem entre várias, que é dividida em três capítulos - a partida, a abstinência e o retorno.

Ismael e Julie são um casal que à partida parece não se distanciar muito dos casais normais. Mas pouco tempo depois do filme começar percebemos que existe mais um elemento, consentido por ambos - Alice. No entanto, o que torna a história fenomenal é o facto de não ficar confinada a um casal que começa a ter problemas por ter uma relação a três. Não, não mesmo, Les Chansons d'Amour vai muito mais além, estravaza qualquer pensamento sobre o que irá acontecer a seguir. Aborda de um modo descomprometido as frustrações das relações amorosas e as mudanças proporcionadas pela modernidade. Como tão bem Honoré nos habituou aos amores e desamores, também este filme nos mostra um pouco desse mundo, da descoberta do verdadeiro amor; que não escolhe idades (como em La Belle Persone) ou sexos.

Neste filme temos um Garrel diferente. Mais sentimental, ao mesmo tempo que incompreendido, mais humano e carinhoso. Mais próximo de um rapaz que poderíamos casualmente ter conhecido, que nos desperta uma empatia para com a sua personagem.

A dupla do realizador com Garrel funciona ás mil maravilhas. É já difícil pensar em um filme de Honoré sem o actor de The Dreamers. No entanto, as actrizes Ludivine Sagnier (Julie) e Clotilde Hesme (Alice) são fabulosas, com destaque para esta última, que foi inclusive nomeada pela sua performance em alguns festivais. E que, curiosamente, em Regular Lovers também divide o ecrã com Louis Garrel. Outra das caras  já conhecida de outros filmes do realizador é Grégoire Leprince-Ringuet (Erwann), que tem um papel algo trágico em "La Belle Persone" e já neste filme tem um papel algo peculiar. Bem mais próximo do da personagem de Garrel; é algo irónico este "reencontro".

Este é um filme pungente em alguns aspectos e como acontece em outras obras de Christophe Honoré também bastante sexual, mas, neste caso em particular, sem descurar de uma pitada de humor. Todavia esses mesmos episódios revelam-se essenciais para a personagem principal, de Garrel, conseguir descobrir qual é a sua verdadeira essência. Alcançando assim a tranquilidade e equilíbrio e com isso a verdadeira felicidade ao descobrir o que é realmente o amor.

É um romance dramático, que é também um musical, mas que não cai no ridículo. Tem letras maravilhosas e que conseguem passar a mensagem exacta para fazer o espectador compreender o porquê da próxima cena .

Ao ver este filme apenas pensei como é impossível não ficarmos fascinados pelo universo de Honoré, por este mundo cinzento (Paris), que rapidamente vai ganhando cor e nos é apresentado em cada um dos seus filmes. E Les Chansons d'Amour não foge a essa regra. É, talvez, de todos os seus filmes o menos frio e devastador, aquele que nos revela um pouco de esperança de encontrar e ficar com o nosso verdadeiro amor sem ter de abrir mão dele. É um filme que se declara e deixa cair a máscara para enfrentar a realidade de que o amor vai muito além do sexo, nasce dentro de nós e torna-se, por vezes, impossível de controlar.

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