As melhores séries não deprimentes de 2014/2015 - PARTE II

11:36:00 Cinema's Challenge 0 Comments

Esta lista é bastante extensa (Vejam aqui a primeira parte). Ia dividi-la, mas não resisti e aqui vai. Carece apenas de aviso prévio de que todas as séries são distintas, com abordagens completamente singulares e diversificadas, com um humor acima da média dentro do seu contexto. Mais juvenis ou mais adultas, telenovelescas ou com humor negro, nesta lista vão encontrar certamente aquilo que procuram: uma boa série! Têm o certificado da Mandim. Caso não encontrem, podem interpelar-me diretamente na caixa de comentários abaixo que certamente tenho uma boa explicação e compenso-vos com a solução à vossa medida. Encarem isto como um serviço de consultoria personalizado. Agora, chega de palavreado, e segue o artigo:


You’re the Worst


Com a segunda temporada já confirmada, esta série é o meio-termo entre uma série mais adulta e uma série juvenil. Em «You're the Worst» temos duas personagens deliciosas, bem reais, que podiam ser qualquer um de nós. Por um lado, a masculina dona de um humor fervilhante, mordaz e desafiador, um verdadeiro "contra o mundo"; por outro a feminina que é viva, única, neurótica, mas que ainda está a descobrir o que quer. Uma estória intrincada, que se revela incomum mas acessível ao público com a mente minimamente aberta. É da FX, mas bem podia ser da HBO, é americana, mas bem podia ser inglesa, tem um elenco de atores estupendo (ou seja, esperem todo um conjunto de personagens eclécticas e marcantes). Acreditem, vale bastante a pena e tem umas cenas bastante marotas para aqueles mais "curiosos" e que precisam de elevar o grau de entusiasmo no fim de um longo dia. É uma sitcom cínica, mas sincera, que nos liberta o pensamento ao mesmo tempo que nos faz pensar. Ah, e é uma comédia romântica, contudo acho que nem vão notar; e digo isto de uma forma positiva, claro. 


Unbreakable Kimmy Schmidt




Não tinha qualquer expectativa quando comecei a ver esta série, carreguei no play por acaso. E a surpresa foi fabulosa! «Unbreakable» é uma série com uma história bizarra, com um conjunto de personagens neuróticas, mas que nos fazem desejar ver um episódio colado ao outro, sem parar. O mundo pode ser um sítio complicado e duro para alguns, mas a personagem mostra como dar a volta, com um toque de otimismo, sem desmerecer o realismo. Os vários episódios são interligados por uma estória de fundo, que também tem o seu lado bastante humorístico, embora resvale um pouco para a comédia negra, muito à semelhança de «30 Rock», mas a meu ver bem melhor, mais feminista - quando falo de feminismo não falo de ser oposto ao machismo, apenas que dá mais destaque às personagens femininas da trama. Além disto, embora não seja apreciadora, há uma boa referência: Tina Fey é a responsável pela série. Querem mais razões para a ver? Não se deixem enganar pelo visual da série. Lembrem-se por vezes não devemos julgar o livro pela capa, devemos antes experimentar lê-lo.


«Man Seeking Woman»

Esta série tem a particularidade de me ter sido sugerida apenas há uma semana e já a terminei. Cada episódio tem apenas 20 minutos com uma estória hiperbólico-eufemista, que se vê num abrir e fechar de olhos. A particularidade dela é mesmo a mistura de assuntos pelos quais passamos todos os dias, bastante realistas portanto, e uma abordagem surreal para os tratar e apresentar ao espectador. Sem dúvida que foi uma ótima surpresa e que recomendo vivamente, em especial ao pessoal adulto que está na casa dos 20-35. O ator também é uma cara conhecida de comédias razoáveis e isso ajudar a criar uma certa empatia com a narrativa, as personagens que o acompanham também têm as suas particularidades que adensam a história. Fez-me lembrar um pouco «Broad City» no que diz respeito ao lado mais neurótico, humorístico e aleatório, bem como o respectivo genérico, mas diferencia-se por completo devido ao seu mote de fundo totalmente distinto. A não perder, portanto!


«Fresh off the Boat»


Mais familiar, mas com um nível de humor bastante inteligente e bem conseguido, esta série é um upgrade made in China da série «Modern Family». Ou seja, tem alguns pontos em comum, mas é muito melhor! Além de abordar os problemas inerentes ao emigrantes nos USA nos anos 90, altura pela qual houve uma enorme mudança social e tecnológica que é interessante rever, pelo menos no caso de quem viveu essa era. Tal como foi introduzido, é uma série que pode ser perfeitamente vista em família, agradável para todas as idades e com a qual facilmente nos conseguimos identificar, embora as personagens venham do outro lado do mundo, literalmente.


«Jane The Virgin»


Bem, pensem em tudo o que podem imaginar quando vos sugerem uma série com formato de telenovela latina e depois apanhem nesses pensamentos e deitem naquelas máquinas de destruir papel. Sim, porque esta série é indescritível. Está longe de se enquadrar nos moldes de uma telenovela aborrecida, do género «Felicity». O que não falta é emoção, humor e um conjunto de personagens muito singulares. Nunca sabemos o que vai acontecer a seguir, pois tudo o que parece em «Jane The Virgin» não o é, nem mesmo no que diz respeito ao próprio título. Afirmo que dentro do género é sem sombra de dúvida uma das melhores do ano e que passará completamente ao lado devido ao preconceito por este tipo de formatos, que para mim são apenas novas abordagens que podem reciclar aspetos bons em formatos menos convidativos. Mas se arriscarem e confiarem nesta minha proposta, acreditem, vão devorar todos os episódios e esperar com muita excitação a próxima temporada! O tema da história é insólito e caricato, mas a forma como está escrita a narrativa é absolutamente viciante. Mais uma vez a prova de que uma série com personagens femininas como protagonistas pode ser boa. E mais não digo.


«Faking It»


Não vos vou mentir, é bastante juvenil, mas caramba quem não viveu com fulgor os tempos de adolescente? «Faking It» faz-nos pensar e perceber como os tempos mudaram, principalmente pelo facto de hoje haver uma toda abertura algo cínica, em que os jovens primam pela igualdade da diferença (os hipsters, sim), mas lá no fundo continuam a manter todos os preconceitos, medos e dúvidas que há uns 20 anos atrás. É uma série interessante, com um humor atrevido, contudo sem desmerecer de um toque de inteligência. E não se deixem enganar pelo selo da MTV, pois esta é uma das poucas que consegue ser original e de qualidade. Tem muitas cenas quentes, onde a homossexualidade é um tema bastante debatido e exposto. Mais uma vez, uma boa opção a quem tem mente aberta e não se deixa travar por géneros (sexuais ou de formato televisivo).