Moda e Cinema: Um casamento de sucesso!

14:51:00 Cinema's Challenge 0 Comments


A relação entre a Moda e o Cinema resultou num casamento de sucesso. Tal como muitos outros temas, a Moda é mais um que integra o mundo do cinema, acompanhando a sua história. Não é, por acaso, que existem filmes com um papel fulcral na sua evolução - influenciando ou deixando-se influenciar -, sendo até hoje relembrados por muitos amantes da sétima arte e da moda como grandes marcos. “Gentleman Prefer Blondes”(1953), “Funny Face” (1957), “Blow Up” (1966), “Unzipped”(1995), “Gia” (1998), “Coco Avant Chanel” (2006), “Marc Jacobs & Louis Vuitton” (2007), “Devil Wears Prada” (2006) e “The September Issue” (2009) são até hoje algumas das referências.

No entanto, é um assunto complexo, que pode ser analisado por vários prismas. Por um lado, podemos reflectir nos documentários e biografias sobre a indústria do bem-vestir, por outro podemos ser mais minuciosos e evidenciar que em qualquer filme o tema moda é transversal, tratado implicitamente, em cada opção de guarda-roupa; elemento que se apresenta como fulcral na criação de uma cinematografia adequada, sendo destacado e premiado em cerimónias oficiais como os Óscares. Relembre-mos como “Marie Antoinette” (2006) ou “Great Gatsby” (2013) são hoje referências na história da moda/arte.


O fascínio pela arte da indumentária começou nos primórdios da invenção dos irmãos Lumière, por volta de 1910. Uma época em que os meios de comunicação como a televisão ou internet que não existiam ou eram inacessíveis, em que as influências eram retiradas da publicidade impressa, das montras e figuras públicas. E é aí que o cinema passa a exercer um poder de criar tendências enorme, principalmente em Hollywood, mas acabando por estender-se também aos europeus e asiáticos. Pelo mundo fora, ao longo de várias décadas, as roupas, maneirismos, maquilhagens, acessórios e penteados eram reproduzidos. A moda crescia de mão dada com a indústria do cinema. Se em “Breakfast At Tiffany’s” a protagonista, Audrey Hepburn, usava um longo vestido preto, as mulheres daquela época também o usavam. Se Marylin Monroe pousou com um vestido branco e cabelo louro, todas replicavam esse estilo. Se o cinema francês introduziu o eyeliner, com obras de Godard, entre outras de anteriores e posteriores realizadores, por todo o mundo o sexo feminino também abraçava o look felino. Ou ainda o movimento artístico nouvelle vague, cujos filmes patrocinados pela indústria tabaqueira, introduziram o cigarro em diversas cenas sensuais, fazendo com que o mundo, feminino e masculino, fumasse como prova de status quo.


A lista de filmes de referência é interminável, tal como de tendências, mas algo é certo: a influência era evidente. E a pergunta de 100 mil euros é: mas quem afinal semeou este desejo vesano de copiar o look das estrelas de cinema? Nada mais, nada menos do que os estilistas, os mesmos que procuraram emprego em Hollywood. Era real. O cinema criava (e continua a criar) ícones de moda, que residem nas nossas lembranças, como uma parte da história. Ora vejamos, na década de 1930, Greta Garbo, Jean Harlow, Joan Crawford, Bette Davis, Katharine Hepburn e Marlene Dietrich eram o exemplo vivo de deusas intocáveis, com estilos muito próprios e cobiçados. 

A tendência reverteu-se. Se antes eram os estilistas que ditavam o que estava em voga, agora eram os filmes que ditavam a moda. Sabem de onde surgiram as “it girls”? Assistam o filme “Clara Bow-IT” (1927) e terão a vossa resposta.


Os anos 50 são ilustrativos de quão preponderante era a indústria. Às divas glamorosas e distintas (como Grace Kelly), sucederam as deusas de Afrodite, curvilíneas e voluptuosas - Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor e Ava Gardner são alguns dos exemplos mais emblemáticos. Mas também os homens ditavam estilos. Ou não fossem Marlon Brandon e James Dean ícones inesquecíveis da rebeldia: os jeans e casacos de cabedal marcaram uma época entre os jovens daquela altura. Perguntem aos vossos pais. 

Os anos 70, 80 e 90 foram marcados pela irreverência dos mais jovens. A moda era a linguagem usada para comunicar a sua personalidade; “Grease”(1978) e “Clueless” (1996) são o retrato perfeito disso. 


Até aos dias de hoje, os figurinos na grande tela retratam sociedades e ajudam a moldá-las, numa dança sensual, metaforizada pela velha pergunta para a qual a resposta deixou de ser unânime: “Quem nasceu primeiro, o cinema ou a moda?”.


Texto originalmente redigido para a Revista SPOT.

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