Cinema e Arquitetura: a criação de uma realidade imaginada

14:17:00 Cinema's Challenge 2 Comments


Dizem que o cinema é a interseção de grande parte das Artes: Teatro, Música, Literatura e Arquitetura são algumas das mais frequentes que merecem destaque. Desta última, a Arquitetura, podemos retirar os majestosos sets compostos por todo o tipo de edifícios onde são rodados alguns dos mais memoráveis filmes. Este elemento é dos mais importantes para a definição do tipo de espaço onde estamos, seja por questões sociais ou de cultura. Podemos começar pelo início da história do cinema, onde de uma realista fábrica de ar imponente saem operários filmados pelos irmãos Lumiére; sabemos que se trata de um meio pobre, rotineiro, sem qualquer tipo de ostentação. Saltamos agora para o futurismo de Metropolis, de Fritz Lang, onde a sombria ausência humana é substituída pela ocupação artificial cuja cidade acompanha em visual todo esse ambiente; o mesmo se pode dizer de Blade Runner. Mais contemporâneo temos Wes Anderson com o seu espólio de filmes entre a bizarra acidez de um certo humor negro aos visuais infantilizados como se uma obra de teatro encantada se tratasse. Os cenários são fundamentais nesse ponto, The Grand Budapeste Hotel mostra como. Caminhando para outro realizador conhecido do grande público, temos Quentin Tarantino que ao nos apresentar histórias como Kill Bill marcou com o uso dos espaços a ideia de que esta seria passada no Oriente. Manhattan de Woody Allen também mostra a importância da Arquitetura no cinema, apresentando a cidade americana como nunca ninguém a viu, sem precisar explicitar onde estava a ser rodada, mesmo optando por uma narrativa monocromática. Chegando por fim aos filmes de Stanley Kubrick temos The Shining que todo ele é uma ode à Arquitectura, usando o espaço como uma forma de remeter o público à loucura vivida no hotel, cujo efeito é irrefutável. Mais comercial, mas não menos importante, temos Christopher Nolan com os seus filmes, destes podemos ressalvar o uso da estética e Arquitetura em Inception, inesquecível, que faz toda a diferença para o seguimento da narração, construindo assim uma realidade imaginada impressionante.

A transformação do espaço é assim, sem sombra de dúvida, um aspeto vital para todo e qualquer filme, fazendo com que este seja apreciado e relembrado pelo espetador.

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May the force be with you!